quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mais uma aula



PALAVRAS DO TRINO ARAKÉM



CURSO DE RECICLAGEM 1991(são 15 aulas)
9ª aula – 13.06.1991
Salve Deus!
Meus irmãos, muitas coisas que nós sofremos somos nós mesmos que as geramos. Muitas vezes isso é necessário, porque é uma maneira de aprendermos a lição. A vida de um mestre missionário da Corrente Indiana é um aprendizado no dia a dia e não só aqui, mas em todos os instantes de nossa vida, e quando cometemos grosserias, não gostamos quando recebemos o troco.
Tudo que fazemos vem da nossa mente, das nossas mãos, das nossas palavras e nem sempre o que é bom para nós é bom para o nosso irmão. Quantas vezes, no mundo espiritual, nós lutamos por algo que desejamos e não conseguimos, porque, se conseguíssemos determinadas coisas, poderia ser a nossa perdição. Não se esqueçam de que o ser encarnado não tem condições de conhecer o futuro.
Mestres, é necessário que partamos sempre da simplicidade, sem esquecer que somos todos iguais, médiuns, e, como médium, nós devemos exercer a nossa mediunidade como médium.
As consagrações que recebemos por força da hierarquia são imensas responsabilidades, e à medida em que vamos subindo os degraus da hierarquia, nossas responsabilidades também vão aumentando porque, da nossa força, da nossa atitude, do nosso trabalho, dependem outros médiuns, pacientes e espíritos, sabendo que, no mundo espiritual, não se perde nada de energia.
Se tivermos consciência da nossa mediunidade e de que precisamos trabalhar com trabalhávamos quando aqui chegamos, o nosso trabalho e a nossa Corrente voltarão para o lugar certo.
Mestres, analisem bem as mensagens que recebem de seus mentores. Elas sempre lhes alertam para suas responsabilidades. Para que nós chegássemos a este mestrado, muito custou para o mundo espiritual. Quantos acordos foram feitos com cobradores, muitos bônus às vezes foram adiantados para que pudéssemos chegar até aqui. Será que se estivéssemos na caminhada normal que nós interrompemos quando viemos para cá, nós estaríamos nesta condição?
Nada é feito de graça, nenhum Preto Velho trabalha de graça, nem Ministro, nem Pai Seta Branca. Nós também não estamos trabalhando de graça. Cada um está preparando o seu lugar, como também cada um de nós, na proporção aqui na Terra, vai receber tudo o que for seu, para não sair daqui frustrado. Pai Seta Branca nos diz que o espírito irrealizado é um espírito sofredor e é por isso que existe hoje o Vale das Sombras.
Estas legiões do Vale das Sombras, como várias outras, são compostas por espíritos hiper-inteligentes. Aqui na Terra foram grandes cientistas, sacerdotes, padres, bispos, cardeais, papas, autoridades dentro do protestantismo e dentro do espiritismo. Se eles pregavam o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque se tornaram espíritos tão terríveis? Muitos usaram a boa fé das pessoas, usaram a sua inteligência e o poder, escravizando pessoas em benefício próprio. Muitos chegaram à conclusão de que estava errado o que eles ensinavam, mas não tiveram a coragem de interromper e mudar o seu quadro. Chegaram do outro lado frustrados, não aceitaram a Lei Crística e formaram o Vale Negro.
Esta legião tão poderosa, que praticamente domina a Terra através de inventos, de religiões, de governantes, procura manipular os encarnados em todos os setores das atividades humanas. Eles só não conseguiram propiciar a reencarnação. Eles têm um grande poder, conhecem a manipulação de energias, os trabalhos da lei negra e não entendem porque, dentro desta nossa simplicidade, desta aparência de pobreza material, o Jaguar tem tanta fé e tanta precisão na sua manipulação de força e todos deles que aqui chegam não voltam mais. Este é o único lugar em que eles chegam e não voltam.
Por que nossos mentores e nossos ministros não nos protegem para que eles não venham aqui? Mas, se eles aqui não vierem, como nós iremos doutriná-los? Estes espíritos são trazidos aqui amarrados ás redes magnéticas dos mentores, porque eles são terríveis e já foram doutrinados pelos mentores, mas precisam da nossa energia, energia animal, que os iluminados não possuem. Mas é preciso que a nossa energia esteja pura, pelas iniciações, pelas consagrações, sem tóxicos. A energia do Jaguar é preciosíssima. Não é conversa, não é aparência, não é posto e nem título, é o sacerdócio, a dedicação, o amor e o respeito. O fluído magnético do doutrinador e do apará, preparado pela manipulação da energia em seus plexos, vai atuar sobre aquela crosta que está em volta dele. É ali que está a força dele e, com a manipulação das energias, a crosta vai rachando e vai caindo como a casca de uma árvore seca. À medida que a crosta vai caindo, o espírito vai se enfraquecendo, até que sua mente começa a raciocinar em uma outra sintonia.
Não esqueçam de que um terrível espírito do Vale das Sombras pode ser um nosso irmão espiritual, nosso pai ou nosso filho espiritual. É um filho de Deus Pai Todo Poderoso como nós, e um espírito destes se conquista pelo convencimento das palavras.
Devemos falar o mínimo e deixar que eles falem o máximo. Esta é a perfeita doutrina. De nada adianta dizermos para ele o que nós somos, porque a nossa consciência e a nossa simplicidade é que são fundamentais.
Muitas vezes, vamos nos envolvendo com títulos e grandezas, mas a grandeza está na nossa missão. Todos nós somos missionários e Pai Seta Branca nos deu um uniforme para que todos fôssemos iguais. É necessário começarmos a cultivar o respeito de um pelo outro. Se você ouvir alguém falando mal do outro, tudo bem, ele deve ter seus motivos, mas não participe, ouça sem fazer comentários e deixe que ele desabafe, porque nós podemos ser o instrumento para evoluir um irmão que precisa passar. É comum a espiritualidade provocar uma situação para que se produza uma energia ectoplasmática para ajudar o nosso irmão.
O Amanhecer não é fábrica de santos e nossa mãe nunca quis o Jaguar sublimado, mas é necessário, dentro do que nós já recebemos, particularmente o médium que atingiu a condição de um Sétimo Raio, é necessário que se tenha uma conduta perfeita. Nossa Doutrina não é a doutrina do medo nem do castigo. Nós não conhecemos o nosso carma e, apesar disso, temos que ir para a frente, mas precisamos analisar porque, se tirarmos a proteção desta Corrente sobre nós, não sabemos o que irá nos acontecer.
As entidades com muito jeito e muito carinho, às vezes, nos fazem advertências e até nos dão um pequeno puxão de orelhas porque querem o nosso bem, mas jamais eles irão entrar no nosso livre arbítrio. Observem que sempre que nós começamos a sair da linha, eles nos alertam, mas muitas vezes fazemos ouvido de surdo.
Nós temos tudo para sermos felizes, e não depende de Pai Seta Branca nem dos mentores, depende somente de nós.
Mestres, a Corrente iniciática é algo muito sensível e nós devemos nos preparar sempre que formos atender a um paciente. Tem que haver um perfeito atendimento entre os médiuns em trabalho, tanto na recepção como na Lei do Auxílio.
Nós somos uma falange de um grande privilégio, porque Pai Seta Branca nos dá tudo o que precisamos para a nossa jornada. Agora vejam, pessoas que andam quilômetros para chegarem aqui em busca de um alívio para as suas dores, e mestres chegam e furam a fila para serem atendidos na frente destas pessoas. Pacientes chegam aqui, recebem grosserias, ficam para trás horas e horas e às vezes não dá tempo de passar nos trabalhos. Analisem bem se estamos agindo corretamente, quando nos tornamos impacientes, colocando os pacientes para trás. Não esqueçam que o missionário está aqui, primeiro para servir e depois para ser servido e cada vez mais o mundo espiritual vai exigir isto de nós, porque temos muito para dar e estamos preparados para isto.
A força que recebemos está sendo manipulada por nós e se não o fizermos, seremos destruídos, porque ela é confiada a cada um de nós, mas não nos pertence. O que adianta estarmos cheios de coisas confortáveis se não temos uma consciência tranqüila, se não podemos dormir em paz, com a mente desequilibrada, e no dia da nossa passagem, o que será de nós se não nos prepararmos para este desenlace?
Não sabemos para onde iremos após a morte, mas temos consciência de que, através de nossa Conduta Doutrinária, de nossa consciência, poderemos preparar o nosso lugar e só nós poderemos fazê-lo.
Nós trouxemos hoje a Lei do Prisioneiro, porque está havendo muito comentário sobre o assunto. Diz-se que a ninfa prisioneira não deve usar a lança e ninfa Yuricy não pode trabalhar com Ajanã prisioneiro. Prisioneira não pode fazer emissão, etc. e isso está gerando muita insegurança no mestrado. Mestres, se houvessem estas proibições, Tia Neiva não teria autorizado no Livro de Leis a quantidade de bônus por trabalho e o que não se pode fazer. Tia Neiva deixou escrito na Lei, não quero desmentir ninguém, mas daqui para a frente, nós vamos considerar o que ela escreveu e, se algum dia precisar mudar alguma coisa, nós vamos fazer uma reunião e eu vou esclarecer ao corpo mediúnico. Mas, até segunda ordem, salvo determinação de Pai Seta Branca, nós vamos seguir o que está escrito. Ninguém tem autoridade para mudar nada aqui dentro. Não há nada mais triste do que causar insegurança aos mestres com informações falsas. Trás intranqüilidade para o prisioneiro, para o trabalho que o prisioneiro pretendia participar e não foi autorizado. Tia Neiva disse e deixou escrito que o prisioneiro pode receber até consagração com indumentária de prisioneiro. Tudo que não estiver escrito que não pode, poderá ser realizado no trabalho de prisioneiro.
Mestres, é a energia do prisioneiro que os cavaleiros levam até as cavernas para retirar espíritos de lá. O trabalho de prisioneiro vai muito além da prisão na individualidade. Portanto, leiam esta carta com muito amor, para que possamos trabalhar com segurança.
Mestres, eu sou o executivo desta Corrente e não vou permitir nada que não esteja nos princípios que foram deixados por Tia Neiva, porque um dia, em Cristo Jesus, eu terei que prestar contas a Pai Seta Branca e a Jesus. Portanto, se está havendo divergências, a falha foi minha, mas eu peço a todos ajuda para levar esta missão até o final. Não há mais tempo para mesquinharias. Temos que ter disciplina e respeito à hierarquia porque, se não houver respeito e disciplina, não haverá evolução. A indisciplina e a baderna são próprias do espírito sofredor.
Mestres, nós temos o privilégio de receber o Pai Seta Branca e, em Cristo Jesus, a maioria dos Pretos Velhos que aqui trabalham, não têm o privilégio de chegar perto dele. Eles amam o Pai e a primeira coisa que eles falam no trabalho é “Salve Pai Seta Branca!”, porque eles buscam a força de Pai Seta Branca.
Mestres, vamos nos posicionar onde Pai Seta Branca nos colocou, levando esta Doutrina para frente, porque temos condições de, em pouco tempo, caminharmos em estrada larga, saindo deste caminho estreito que estamos percorrendo por culpa nossa.
Pai Seta Branca nunca irá cobrar nada de nós, mas cada um tem a certeza de sua missão.
Salve Deus!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

14 de fevereiro-aniversário do Templo de Afonso Cláudio e de Pai Seta Branca

No dia 14 de fevereiro, do ano de 2004, na cidade de Afonso Cláudio ,ES, O templo do Amanhecer foi transferido para sua sede  atual,localizada no Bairro da Grama , no Vale do Sol.
Nesta data  com o nome de TEMPLO ARALTON DO AMANHECER, sob a Presidencia de Luiz Renato Deorce  


 e atualmente  está sob a coordenação do Adjunto Delumo ,Mestre João Alves.


A data foi intuida sem planejamento e coincidiu com a data do aniversário de nosso Pai Seta Branca.



Que Jesus , o Divino Mestre guie  e ilumine esta casa,que de portas abertas ,sempre , recebe os que desesperados,procuram alívio pra suas dores.
Que os olhos do Pai, seja o alerta  para que se lembrem sempre :Orai e Vigiai...

Salve Deus!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

SEMPRE BOM LEMBRAR!


"Custei a entender os homens desta tribo e, à beira do abismo, consegui esconder as suas armas, que até então estavam viradas contra os seus próprios irmãos. Logo, armei-me contra mim mesma e pelo caminho de Jesus estas armas vão se transformando em amor e tolerância."

(Tia Neiva, Vale do Amanhecer)

@[100001002653335:2048:Keila Silva] ツ♡
‎"Custei a entender os homens desta tribo e, à beira do abismo, consegui esconder as suas armas, que até então estavam viradas contra os seus próprios irmãos. Logo, armei-me contra mim mesma e pelo caminho de Jesus estas armas vão se transformando em amor e tolerância."

(Tia Neiva, Vale do Amanhecer)

É através da vigilância constante, que caminhamos nesta Doutrina, na busca de nossa evolução.
Orai e Vigiai , sempre!






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

TRONO MILENAR



"Olha meus filhos, em Cristo Jesus, eu fiz aqueles dois Tronos ali (apontando para os Tronos Milenares, ao lado da imagem de Pai Seta Branca), assim naturalmente, nós batizamos como T
ronos Milenares... Junto aos olhos de Pai Seta Branca. Ali se recebem Espíritos Milenares... muitos que vêm dessas tiranias, da escravidão, Senhores de Escravos, assim, ex-combatentes, ódio, velhos Generais dessa guerra, Espíritos de Roma, Egito...” Tia Neiva em gravação sem data.

Salve Deus!

Falar dos Tronos Milenares é considerar primeiramente o alerta de nossa Mãe Clarividente: “são espíritos milenares, muitos dos tempos de Roma, do Egito, de antes de Cristo”.

Não vamos ali para “conversar com nosso cobrador”! O espírito que está ali vive por séculos dentro do Plano Etérico da Terra! Desvendou os mistérios da magia horizontal e especializou-se no agregar de forças do magnético animal e manipulação de outros espíritos. Sua a Lei é o “toma-lá, dá-cá”. Verdadeiros magos negros, manipuladores de consciências, reis de cavernas e senhores de legiões de espíritos.

Atuam em povos inteiros, em tragédias de grande alcance que desprendem uma quantidade indescritível de energia a ser aproveitada dentro do etérico da Terra.

Não vão ouvir sua voz melosa falando de Jesus! Para eles Jesus foi um fracassado que morreu sem cumprir sua missão. A maioria reconhece e respeita a Deus. Certa vez uma entidade destas chegou aos Tronos, frente a dois Arcanos e antes de qualquer coisa disse: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Desmontou os médiuns na hora e quase saem dali doutrinados ao invés de cumprir a missão que se propuseram.

Para enfrentar um Trabalho como esse, requer um longo preparo e ainda muita disponibilidade para continuá-lo, pois dificilmente ele terá fim em um único encontro. O Trino Araken contava que havia um espírito destes que já tinha mais de décadas em contato com ele mesmo e não havia quase nenhuma possibilidade de encaminhá-lo, pois embora ele até desejasse, temia pela vingança de tantos que já havia destruído.

Somos muito pequenos frente à experiência milenar destas entidades imersas por milênios nos submundos. Respeitá-los é o primeiro passo, e se não houver conteúdo para conversar, que não os incomode! É bastante arriscado perturbar quem você não tem condições de sequer encarar.

Não adianta intelectualizar a prosa, pois uma conversa intelectual normalmente é aborrecida e eles não têm tempo a perder. A única arma capaz de sustentar um encontro destes é o verdadeiro amor! Não importam tanto as palavras, mas sim a emanação com a qual vêm revestidas. Se existir um pingo de vaidade na solicitação deste encontro... Salve Deus! Será descoberta e provavelmente exposto ao ridículo! Ou ainda pior, será manipulado pela própria energia e ingressará nas sombras da aura de um ser muito poderoso.

Não se pode medir forças! Além da vaidade, a arrogância é um sinal que detectam com facilidade e usam contra você mesmo.

Somente a real pureza das intenções e o amor incondicional pela missão é que podem conduzi-lo ao caminho para algum sucesso.

Ir buscar um “cobrador” nos Milenares??? Salve Deus! Somente um insensato faria isso! Pode até ser que um espírito destes tenha um reajuste com você, mas pode ter certeza que face ao império que hoje ele comanda, você é o menor de seus problemas. Um espírito milenar não fica preocupado com pequenas cobranças do passado, tem uma legião, uma caverna ou um reino para administrar!

Por tanto... Não vá em busca do que ainda não está preparado para enfrentar. Quando a hora chegar, e “se” ela chegar, tudo acontecerá naturalmente e a missão se delineará de maneira clara.

Salve Deus! Graças a Deus!

Adjunto Hitupan - Mestre Hugo Sobreira

domingo, 3 de fevereiro de 2013



MAX, O M E N D I G O

Em 1850, numa vila da Baviera, morreu um velho quase centenário, conhecido por pai Max.
Por não possuir família, ninguém lhe determinava a origem. Havia cerca de meio século que se invalidara para ganhar a vida, sem outro recurso além da mendicidade, que ele dissimulava, procurando vender, pelas herdades e castelos, almanaques e outras miudezas. Deram-lhe a alcunha de conde Max, e as  crianças o chamavam somente pelo título — circunstância esta que o fazia rir sem agastamento.
Por que esse título?
Ninguém saberia dizê-lo. O hábito o sancionara. Talvez tivesse provindo da sua fisionomia, das suas maneiras, cuja distinção fazia contraste com a miserabilidade dos andrajos.
Muitos anos depois da morte, Max apareceu em sonho à filha do proprietário de um castelo em cuja estrebaria era outrora hospedado, porque não possuía domicílio próprio.
Nessa aparição, disse ele: “Agradeço o terdes lembrado o pobre Max nas vossas preces, porque o Senhor as ouviu. Alma caritativa, que vos interessastes pelo pobre mendigo, já que quereis saber quem sou, vou satisfazer-vos, ministrando, ao mesmo tempo e a todos, um grande ensinamento.
“Há cerca de século e meio era eu um dos ricos e poderosos senhores desta região, porém orgulhoso da minha nobreza. A fortuna imensa, além de só me servir aos prazeres, mal chegava para o jogo, para o deboche, para as orgias, que eram a minha única preocupação na vida.
“Quanto aos vassalos, porque os julgasse animais de trabalho destinados a servir-me, eram espezinhados e oprimidos, para proverem às minhas dissipações. Surdo aos seus queixumes, como em regra também o era com todos os infelizes, julgava eu que eles ainda se deveriam ter por honrados em satisfazer-me os caprichos.
"Morri cedo, exausto pelos excessos, mas sem ter, de fato, experimentado qualquer desgraça real. Ao contrário, tudo parecia sorrir-me, a ponto de passar por um dos seres mais ditosos do mundo. Tive funerais suntuosos e os boêmios lamentavam a perda do ricaço, mas a verdade é que sobre o meu túmulo nenhuma lágrima se derramou, nenhuma prece por mim se fez a Deus, de coração, enquanto minha memór ia era amaldiçoada por todos aqueles para cuja miséria contribuíra.
"Ah! E como é terrível a maldição dos que prejudicamos! Pois essa maldição não deixou de ressoar-me aos ouvidos durante longos anos que me pareceram uma eternidade. Depois, por morte de cada uma das vítimas, era um novo espectro ameaçador ou sarcástico que se erguia diante de mim, a perseguir-me sem tréguas, sem que eu pudesse encontrar um vão esconso onde me furtasse às suas vistas! Nem um olhar amigo! 
“Os antigos companheiros de devassidão, infelizes como eu, fugiram, parecendo dizer-me desdenhosos: “Tu não podes mais custear os nossos prazeres.” Oh! Então, quanto daria eu por um instante de repouso, por um copo d'água para saciar a sede ardente que me devorava! Entretanto eu nada mais possuía, e todo o ouro a jorros derramado sobre a Terra não produzia uma só bênção, uma só que fosse... ouviste, minha filha?!
“Cansado por fim, opresso, qual viajor que não lobriga o termo da jornada, exclamei: “Meu Deus, tende compaixão de mim! Quando terminará esta situação horrível?” Então uma voz — primeira que ouvi depois de haver deixado a Terra — disse: “Quando quiseres.” Que será preciso fazer, grande Deus? — repliquei. Dizei-o, que a tudo me sujeitarei. — “É preciso o arrependimento, é preciso te humilhares perante os mesmos a quem humilhastes; pedir-lhes que intercedam por ti, porque a prece do ofendido que perdoa é sempre agradável ao Senhor.” E eu me humilhei, e eu pedi aos meus vassalos e servidores que ali estavam diante de mim, e cujos semblantes, pouco a pouco mais benévolos, acabaram por desaparecer. Isso foi para mim como que uma nova vida; o desespero deu lugar à esperança, enquanto eu agradecia a Deus com todas as forças de minha alma.
“A voz acrescentou: “Príncipe...” ao que respondi: “Não há aqui outro príncipe senão Deus, o Deus Onipotente que humilha os soberbos. Perdoai-me Senhor, porque pequei; e se tal for da vossa vontade, fazei-me servo dos meus servos.”
“Alguns anos depois reencarnei numa família de burgueses pobres. Ainda criança perdi meus pais, e fiquei só, no mundo, desamparado. Ganhei a vida como pude, ora como operário, ora como trabalhador de campo, mas sempre honestamente, porque já cria em Deus. Mas aos 40 anos fiquei totalmente paralítico, sendo-me preciso daí por diante mendigar por mais de 50 anos, por essas mesmas terras de que fora o absoluto senhor. Nas herdades que me haviam pertencido, recebia uma migalha de pão, feliz quando por abrigo me davam o teto de uma estrebaria. Ainda por uma acerba ironia do destino, apelidaram-me Sr. Conde...
"Durante o sono, aprazia-me percorrer esse mesmo castelo onde reinei despoticamente, revendo-me no fausto da minha antiga fortuna! Ao despertar, sentia de tais visões uma impressão de amargura e tristeza, mas nunca uma só queixa se me escapou dos lábios; e quando a Deus aprouve chamar-me, exaltei a sua glória por me haver sustentado com firmeza e resignação numa tão penosa prova, da qual hoje recebo a recompensa. Quanto a vós, minha filha, eu vos bendigo por terdes orado por mim.”

Comentário de Kardec: Para este fato pedimos a atenção de todos quantos pretendem que, sem a perspectiva das penas eternas, os homens deixariam de ter um freio às suas paixões. Um castigo como este do pai Max será porventura menos profícuo do que essas penas sem-fim, nas quais hoje ninguém acredita?