quinta-feira, 7 de julho de 2011

A LUZ DO MUNDO

 Jesus, o Mestre dos mestres, tinha sempre palavras de estímulo aos que O seguiam.

Ninguém como Ele utilizou de forma tão excelente os vocábulos de incentivo a quem pretendesse estar com Ele.

É assim que nos credencia a herdeiros do Universo, pois que somos filhos do Pai que tudo criou, bem como nos chama Filhos da Luz, ramos da videira, aqueles que podem fazer tudo o que Ele fez e muito mais.

De forma amiúde, ficamos nos questionando a respeito de algumas de Suas afirmativas.

Por nos considerarmos tão pequenos, tão distantes da grandeza de que Se reveste o Mestre de Nazaré, indagamo-nos se Ele estaria certo ao nos ofertar tais credenciais.

Filhos da Luz? Nós, que nos sentimos ainda tateando em sombras densas?

Andar no mundo como Filhos da Luz, enquanto temos luz? De que luz dispomos? De que intensidade é nossa luz?

Então, nos lembramos do valor de um fósforo em plena escuridão.

Quando o breu se faz porque a energia elétrica sofre uma pane, como a luz débil de um fósforo faz a grande diferença!

Disse alguém que nos podemos considerar como um fósforo aceso.

Sim, a chama não ilumina grande distância, mas faz a diferença entre a escuridão total e uma pequena claridade.

Claridade que nos retira, por breves segundos, embora, da insegurança total das trevas.

Claridade que nos permite ver o outro, perceber que não estamos sós, que mais alguém compartilha conosco daquela situação. E nos darmos as mãos.

Claridade que nos permite ir em busca de uma lanterna, de uma vela, de um lampião.

Ou, se nada disso se tiver, acender um outro fósforo. E outro, e mais outro.

Quem sabe, fazer um clarão maior, enquanto a energia elétrica não se restaura.

Em se tratando da sociedade, podemos imaginar o mesmo valor dessa pequena luz.

Se somos um fósforo de dignidade que se acende quando a corrupção anda à solta, fazemos a diferença.

Porque a nossa chama mostra a outros o nosso valor e motiva a que os demais resolvam acender a sua própria chama.

Se, em meio à indiferença geral, somos o fósforo que aquece a alma e a vida de quem sofre; se em meio à covardia moral, mostramos a luz da correta conduta; se, enfim, somos a pequenina chama da amizade, da justiça, da fé, quanta luz espalharemos por onde passarmos?

Tinha, portanto, toda razão Jesus ao nos estimular a andar no mundo como Filhos da Luz, andar enquanto tivermos luz.

A luz ilumina onde se apresente e mostra cores, onde somente havia trevas;

Mostra pessoas onde somente havia solidão; acena esperança onde grassa a infelicidade.

Pensemos nisso e atendamos ao incentivo do Mestre de Nazaré.

Não nos preocupemos com a chama pequena, oscilante ou de duração efêmera.

Mostremos nossa luz. Mesmo que somente seja para acender outra luz.

Será a nossa contribuição para o mundo de alegrias, risos e cores que todos desejamos para nós, para nossos filhos, para as gerações futuras.


RECEBIDO DE KARDEC  ONLINE

terça-feira, 5 de julho de 2011

ESTA VEIO A CALHAR !

O VICE PRESIDENTE


A figura do Vice Presidente surgiu por uma necessidade e não por vaidade.

Inicialmente os Templos do Amanhecer eram implantados pelos Adjuntos de Raiz, que assumiam a presidência do Templo e necessitavam de um componente “nativo” da cidade para comandar em sua ausência. Este componente, assumia com a emissão de vice-presidente, emitindo mesmo nesta condição.

Com o passar do tempo e a criação da figura dos sub-coordenadores, os Adjuntos entregaram seus Templos aos vices locais, que assumiram como presidentes e novos Adjuntos de Povo. Dessa maneira, a condição de vice-presidente tornou-se totalmente desnecessária, pois um Adjunto de Povo passa a contar com Regentes e não com vice-presidentes.

O Regente de um Adjunto de Povo é o “braço-direito”! O correto seria que todos tivessem a Classificação de Trinos Venários, mas normalmente são classificados diretamente como Ajouros.

Partindo desta informação sobre a Classificação, passamos a entender que a missão do Regente (ou vice-presidente se preferirem), é apoiar o Adjunto (Presidente) em todas suas responsabilidades doutrinárias.

Tem que ser um perfeito cavalheiro e fiel amigo de todos! Suas “leis” não são diferentes das do próprio Adjunto, descritas nas Cartas de Tia Neiva. Se o Adjunto é o “pai de seu Povo”, o Regente é o irmão mais velho! É aquele que cuida e informa ao pai tudo que está se passando com os outros irmãos, e tendo autorização para tanto, toma as medidas necessárias para auxiliar e instruir. Jamais corrigir!

Ser Regente não é uma honraria ou Classificação para determinar hierarquias!!! Ser Regente é assumir a missão da humildade, pois não é o Adjunto, e tem que ter total consciência disso. Representa o Adjunto, cumpre suas solicitações e relata tudo. Não é “Vice Rei”, “segundo na hierarquia”, “chefe”... É um assessor, secretário e o mais humilde e amoroso serviçal.

Não sendo capaz de ter a humildade de ouvir, amar, tolerar, acalmar ânimos e ser um verdadeiro diplomata (que muda as energias mesmo sem poder resolver a situação), não é possível que seja Regente.

Responsabilidade é seu nome; diplomacia é seu modo de atuar; Humildade a lição de todos os dias.

Na prática, pode representar o Adjunto em qualquer Ritual ou Trabalho, mas só pode tomar decisões se estiver sob o aval de seu representado.

Kazagrande

 “Meus mestres e meus filhos que vão assumir essa nobre responsabilidade:  espero de vocês o amor nas maneiras, na Lei, nas ordens e na execução de suas tarefas. Espero que se recordem sempre de mim quando estiverem impacientes em suas atribuições, com as falhas dos outros. Lembrem-se, sempre, de que entre ele e você, estarei eu. Lembrem-se das palavras que digo a vocês quando não estão certos, quando têm algum erro na Doutrina: MUITO AMOR! Meus filhos, com o amor conseguimos o discípulo amigo, humano, evangélico. Esqueçam, sempre que vocês são a Lei e que a Lei existe. Vocês são a  palavra, a minha palavra, com -0- em Cristo Jesus!” Tia Neiva em 5 de fevereiro de 1983
Mais uma vez , obrigado meu irmão !

RECEBI E PASSO PRA VOCES!

 

No mes de novembro, no ano de 1985, estávamos felizes pela presença de Tia Neiva na Casa Grande. Após uma internação sofrida, onde achávamos que não mais iríamos tê-la de volta, e até segundo as palavras do médico de Tia Neiva Dr. Iton de Barros, ao proferir: ”Tudo que a ciência podia fazer, foi feito, leve-a para o Vale, quem sabe seus espíritos podem fazer alguma coisa”.
Na troca de rosas em 30 de outubro, Tia Neiva e Mário Sassi, foram os primeiros a passarem pelo ritual. Na centésima escalada de aspirantes, os mestres perfilam diante do restaurante da Casa Grande. Tia Neiva trajando um vestido de cor negra, sentada em uma cadeira de balanço, com a voz embargada, abraça o Adjunto Yuricy, mestre Edelves e diz:
- Este é meu Adjunto yuricy, e eu amo de um modo especial.
Ao receber as flores, algumas de plástico, ela diz:
- Para que me servem essas flores? Meus filhos, deixem de mesquinharia...
E então em quinze de novembro do mesmo ano, acontece o que todos temiam - Tia Neiva desencarna. O seu esquife na Pira onde tantas vezes se colocara em tantos rituais, desta vez uma guarda silenciosa de mestres sem suas armas, estavam ali, silenciosamente, diante de sua Mãe Clarividente.
Uma noite entremeada entre mantras e lágrimas. No domingo a tarde, o templo é fechado, um encontro solitário de Tia Neiva e seus familiares... Seu primogênito, aquele que fora seu companheiro de tantas horas... O cobrador do ônibus que ela dirigiu em Goiânia, que ao redor de uma cisterna na mesma cidade, ouve ela dizer:
- Meu Filho, vamos para Brasília?... Que na UESB achava que iria frequentar os bancos das escolas tradicionais, numa promessa de seu Pai Seta Branca, mas passara cinco anos a dirigir seu caminhão para o sustento dos moradores da UESB.
Naquele domingo, onde o sol brilhava com uma intensidade enorme como a reverenciar a nova moradora dos mundos espirituais, ele toma a direção de uma caminhonete e conduz o corpo de sua mãe até o cemitério...
Os quatro Trinos, herdeiros legítimos da herança doutrinária de Tia Neiva, entre dificuldades que vão surgindo passam a conduzir a Doutrina. O Mestre Gilberto Zelaya, Coordenador dos Templos do Amanhecer, assume sua missão e com quarenta templos, começa a expandir a rama Ajarã e o crescimento surge como a rama selvagem. Através de sua ousadia e determinação a continuidade da Doutrina é assegurada e o ritual de entrega de nomes de Cavaleiros e Ministros faz com que possam surgir novos comandantes... As consagrações de Iniciação, Elevação de Espadas, Centúria e Classificação de Mestres e Ninfas, atingem todo o território nacional e até o exterior. Estrelas Candentes já funcionam em outros estados, juntamente com a Estrela Sublimação e Turigano.
Hoje somos mais de seiscentos Templos, um povo enorme, como um dia profetizara Pai Seta Branca. Estamos caminhando sem a presença física de Tia Neiva com dificuldades, mas com o mesmo afinco que ela o faria. Quantos mestres saem de sua casa, colocam seu uniforme em sua bolsa, andam quilômetros para exercer sua Doutrina, a Doutrina que lhe foi confiada. Quantos mestres se dirigem aos Templos do Amanhecer na caridade de curar a quem nunca viu... Nossos aparás, de olhos fechados, colocam-se a serviço de nossas Entidades.
Nossos doutrinadores, filhos de Tia Neiva, o Doutrinador, o farol que ilumina as noites escuras, deixa sua família e vai em busca desta tarefa da desobsessão. Cumprindo as últimas palavras de Tia Neiva em 1985, quando perguntaram quem iria assumir seu lugar e ela responde que o DOUTRINADOR, desde que tenha muito amor no coração.
Em seu ponto energizado no interior do Templo, Pai Seta Branca, recebe todos os seus filhos sem nenhuma discriminação... ”Meus filhos, eu os vejo como acumuladores de cargas tão iguais” ... ”Rico sou, o Pai de filhos como vós, que abdicam um mundo por uma Doutrina do Amanhecer” ... E esse Pai grandioso zela por este poder que é a Doutrina do Amanhecer, e orgulhoso fica quando seus filhos ao levantar a taça dizem: “Jesus este é o teu sangue, ninguém jamais poderá contaminar-se por mim”.
Estamos nesta nave chamada “Doutrina do Amanhecer”, as vezes os mares parecem bravios, as ondas fazem os viajantes desta Nau temerem, a alimentação doutrinária parece faltar e os tripulantes sentem as forças oscilarem e alguns tomam caminhos diferentes, mas continuam sendo filhos deste Pai, que em suas palavras serenas também diz: “Cuidado Filhos, para que não se perca nenhuma ovelha de seu rebanho”.
Muito se falou e tem falado de uma peneira de Pai João, sobre a presença do Cavaleiro da Lança Negra, mas temos um Pai, um Cristo que habita em nosso coração, as batalhas do Peloponeso, as ruas estreitas da Palestina, não mais podemos presenciar a frase de Pôncio Pilatos, ”Jesus ou Barrabás?”; as pirâmides Maias na America Central; as Cruzadas; o período triste e cruel da inquisição; as cabeças caindo na guilhotina e o vergonhoso episódio da queda da Bastilha, não mais podem fazer parte de nossas caminhadas. A bandeira rósea de Jesus, nosso símbolo de fé sempre há de ser.
Esta doutrina que Neiva Chavez Zelaya deu a vida é um marco para o futuro, somos apenas aqueles que têm a obrigação de tornar o caminho daqueles que irão nos sucederem mais fáceis... Não temos o direito mais de errar...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Não se Pode Servir a Deus e a Mamon

Salvação dos Ricos

1. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon. (S. LUCAS, cap. XVI, v. 13.)

2. Então, aproximou-se dele um mancebo e disse: Bom mestre, que bem devo fazer para adquirir a vida eterna?

- Respondeu Jesus: Por que me chamas bom?

Bom, só Deus o é. Se quiseres entrar na vida, guarda os mandamentos.

- Que mandamentos? Retrucou o mancebo.

Disse Jesus:

Não matarás;
Não cometerás adultério;
Não furtarás;
Não darás testemunho falso.

- Honra o teu pai e a tua mãe e ama a teu próximo como a ti mesmo.


O moço lhe replicou:

Tenho guardado todos esses mandamentos desde que cheguei à mocidade.

Que é o que ainda me falta?

-Disse Jesus:

Se quiseres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu.

Depois, vem e segue-me.


Ouvindo essas palavras, o moço se foi todo tristonho, porque possuía grandes haveres.

- Jesus disse então a seus discípulos:

Digo-vos em verdade que bem difícil é que um rico entre no reino dos céus.

- Ainda uma vez vos digo: É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus
(1). (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 16 a 24. - S. LUCAS, cap. XVIII, vv. 18 a 25. - S. MARCOS, cap. X, vv. 17 a 25.)

(1) Esta arrojada figura pode parecer um pouco forçada, pois que não se percebe que relação possa existir entre um camelo e uma agulha.

Acontece, no entanto, que, em hebreu, a mesma palavra serve para designar um camelo e um cabo.

Na tradução, deram-lhe o primeiro desses significados; mas é provável que Jesus a tenha empregado com a outra significação.

É, pelo menos, mais natural.

Preservar-se da Avareza.

3. Então, no meio da turba, um homem lhe disse:

Mestre, dize a meu irmão que divida comigo a herança que nos tocou.

- Jesus lhe disse:

Ó homem! Quem me designou para vos julgar, ou para fazer as vossas partilhas?

- E acrescentou: Tende o cuidado de preservar-vos de toda a avareza, seja qual for à abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possua.

Disse-lhes a seguir esta parábola: Havia um rico homem cujas terras tinham produzido extraordinariamente - e que se entretinha a pensar consigo mesmo, assim:

Que hei de fazer, pois já não tenho lugar onde possa encerrar tudo o que vou colher?

-Aqui está, disse, o que farei: Demolirei os meus celeiros e construirei outros maiores, onde porei toda a minha colheita e todos os meus bens.

- E direi a minha alma: Minha alma tem de reserva muitos bens para longos anos; repousa, come, bebe, goza. Mas, Deus, ao mesmo tempo, disse ao homem:

Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o que acumulaste?

É o que acontece àqueles que acumulam tesouros para si próprios e que não é rico diante de Deus. (S. LUCAS, cap. XII, vv. 13 a 21.)

Jesus em Casa de Zaqueu

4. Tendo Jesus entrado em Jericó, passava pela cidade - e havia ali um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos e muito rico, - o qual, desejoso de ver a Jesus, para conhecê-lo, não o conseguia devido à multidão, por ser ele de estatura muito baixa.

- Por isso, correu á frente da turba e subiu a um sicômoro, para o ver, porquanto ele tinha de passar por ali.

- Chegando a esse lugar, Jesus dirigiu para o alto o olhar e, vendo-o, disse-lhe: Zaqueu dá-te pressa em descer, porquanto preciso que me hospedes hoje em tua casa.

- Zaqueu desceu imediatamente e o recebeu jubiloso.

Vendo isso, todos murmuravam, a dizer: Ele foi hospedar-se em casa de um homem de má vida. (Veja-se: "Introdução", artigo - Publicanos.)

Entretanto, Zaqueu, pondo-se diante do Senhor, lhe disse: Senhor dou a metade dos meus bens aos pobres e, se causei dano a alguém, seja no que for, indenizo-o com quatro tantos.

Ao que Jesus lhe disse:

Esta casa recebeu hoje a salvação, porque também este é filho de Abraão; visto que o Filho do Homem veio para procurar e salvar o que estava perdido. (S. LUCAS, cap. XIX, vv. 1 a 10.)

Parábola do Mau Rico

5. Havia um homem rico, que vestia púrpura e linho e se tratava magnificamente todos os dias.

- Havia também um pobre, chamado Lázaro, deitado à sua porta, todo coberto de úlceras, que muito estimaria poder mitigar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico; mas, ninguém lhas dava e os cães lhe viam lamber as chagas.

- Ora, aconteceu que esse pobre morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. O rico também morreu e teve por sepulcro o inferno.

- Quando se achava nos tormentos, levantou os olhos e via de longe Abraão e Lázaro em seu seio - e, exclamando, disse estas palavras:

Pai Abraão, tem piedade de mim e manda-me Lázaro, a fim de que molhe a ponta do dedo na água para me refrescar a língua, pois sofro horrível tormento nestas chamas.

Mas Abraão lhe respondeu: Meu filho lembra-te de que recebeste em vida teus bens e de que Lázaro só teve males; por isso, ele agora esta na consolação e tu nos tormentos.

Ao demais, existe para sempre um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que queiram passar daqui para aí não o podem, como também ninguém pode passar do lugar onde estás para aqui.

Disse o rico: Eu então te suplico, pai Abraão, que o mandes à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, a dar-lhes testemunho destas coisas, a fim de que não venham também eles para este lugar de tormento.

- Abraão lhe retrucou: Eles têm Moisés e os profetas; que os escutem.

- Não, meu pai Abraão, disse o rico: se algum dos mortos for ter com eles, farão penitência.

- Respondeu-lhe Abraão: Se eles não ouvem a Moisés, nem aos profetas, também não acreditarão, ainda mesmo que algum dos mortos ressuscite. (S. LUCAS, cap. XVI, vv. 19 a 31.)

Parábola dos Talentos

6. O Senhor age como um homem que, tendo de fazer longa viagem fora do seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens.

- Depois de dar cinco talentos a um, dois a outro e um a outro, a cada um segundo a sua capacidade, partiu imediatamente.

- Então, o que recebeu cinco talentos foi-se, negociou com aquele dinheiro e ganhou cinco outros.

- O que recebera dois ganhou, do mesmo modo, outros tantos. Mas o que recebera um cavou um buraco na terra e aí escondeu o dinheiro de seu amo.

- Passado longo tempo, o amo daqueles servidores voltou e os chamou a contas. - Veio o que recebera cinco talentos e lhe apresentou outros cinco, dizendo:

Senhor entregou-me cinco talentos; aqui estão, além desses, mais cinco que ganhei.

-Respondeu- lhe o amo: Servidor bom e fiel; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor.

- O que recebera dois talentos apresentou-se a seu turno e lhe disse:

Senhor entregou-me dois talentos; aqui estão, além desses, dois outros que ganhei.

- O amo lhe respondeu: Bom e fiel servidor; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor.

- Veio em seguida o que recebeu apenas um talento e disse:

Senhor, sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e colhes de onde nada puseste; - por isso, como te temia, escondi o teu talento na terra; aqui o tens: restituo o que te pertence.

- O homem, porém, lhe respondeu: Servidor mau e preguiçoso; se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus, devias pôr o meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, regressando, eu retirasse com juros o que me pertence.

-Tirem-lhe, pois, o talento que está com ele e dêem-no ao que tem dez talentos; porquanto, dar-se-á a todos os que já têm e esses ficarão cumulados de bens; quanto àquele que nada tem tirar-se-lhe-á mesmo o que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 14 a 30.)

Utilidade providencial da riqueza. 
Provas da riqueza e da miséria.

7. Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão.

Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria.

É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual.

E o laço mais forte que prende o homem a Terra e lhe desvia do céu os pensamentos.

Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão.

Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento.

Quando Jesus disse ao moço que o inquiria sobre os meios de ganhar a vida eterna:

"Desfaz de todos os teus bens e segue-me", não pretendeu, decerto, estabelecer como princípio absoluto que cada um deva despojar-se do que possui e que a salvação só a esse preço se obtém; mas, apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação.

Aquele moço, com efeito, se julgava quite porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à idéia de abandonar os bens de que era dono.

Seu desejo de obter a vida eterna não ia até ao extremo de adquiri-la com sacrifício.

O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a pôr a nu o fundo do seu pensamento.

Ele podia, sem dúvida, ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar o seu pai e a sua mãe.

Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até a abnegação. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio:

"Fora da caridade não há salvação".

A conseqüência dessas palavras, em sua acepção rigorosa, seria a abolição da riqueza por prejudicial à felicidade futura e como causa de uma imensidade de males na Terra; seria ao demais, a condenação do trabalho que a pode granjear; conseqüência absurda, que reconduziria o homem à vida selvagem e que, por isso mesmo, estaria em contradição com a lei do progresso, que é lei de Deus.

Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus.

Pelo abuso, ele torna pernicioso o que lhe poderia ser de maior utilidade.

E a conseqüência do estado de inferioridade do mundo terrestre.

Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem.

Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.

Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta.

Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta.

Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção.

Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora.

Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade.

A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações.

Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de executá-los com maior segurança e rapidez.

Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fez criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência.

A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais.

Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não maiores trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas.

Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.

Desigualdade das Riquezas

8. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.

A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens?

Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.

E, alias ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.

Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.

Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos.

Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus.

Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade.

Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais.

A riqueza é um meio de experimentá-lo moralmente.

Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca.

Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela.

Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez.

Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã.

Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é a cada um prescreve trabalhar a seu turno.

A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.

Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se:

Deus será justo, dando-as a tais criaturas?

E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça.

Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem.

Se abusarem, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal.

As leis podem de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada.

A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.



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SEGUNDO CORAÇÃO

SEGUNDO CORAÇÃO

DEVERA, para o amor, haver na gente,
um outro coração intercalado,
que para o amor pulsasse unicamente,
sem ódio, sem rancor e sem pecado.

Que fosse um coração imunizado
contra qualquer sentido diferente;
feito do amor, por ele escravizado,
pulsando sem cessar, constantemente!

Que o amor impuro que há purificasse,
banindo a ingratidão, a falsidade,
e sem amar, a mais ninguém deixasse.

Que a vida desse o dom da meiga flor,
tornando-a, sem luxúria, sem maldade,
amor!. Somente amor! ... Somente amor! ...